Centro Interpretativo da Ourivesaria do Norte de Portugal (CIONP)

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Português
Estado: 
Em curso
Grupo de investigacao: 
Estudos de Arte e Património
Tipologia: 
Investigação e Desenvolvimento
Investigador principal: 
Gonçalo de Vasconcelos e Sousa
Resumo: 

A Ourivesaria constitui uma das artes e, simultaneamente, um dos sectores económicos que mais arreigados se encontram às gentes do Norte de Portugal. Possuidora de uma tradição milenar, que as descobertas arqueológicas não se cansam de continuamente provar, esta arte legou-nos um conjunto de peças, de técnicas, de tradições, de usos e de costumes, inclusivamente de natureza imaterial, que importa salvaguardar, sobretudo num período em que um conjunto de realidades relacionadas com estas áreas se encontra em grave perigo de se perder. Os centros produtores estenderam-se por toda a região, sendo especialmente importantes o Porto, Gondomar, Guimarães, Braga e Póvoa de Lanhoso, mas conhecem-se ourives em Bragança, Miranda, Lamego e noutras terras espalhadas por todo o território. Daqui partiram para a Galiza, sobretudo no século XVI, mas também para o Brasil, especialmente nas centúrias de Setecentos e Oitocentos. Ainda ao longo de uma boa parte do século XX, o Brasil constituiria o destino de uma grande quantidade de peças de prata, conforme o provam os diversos estudos que vão surgindo sobre a arte argêntea deste período. A presença de ourives em todas as feiras, fenómeno hoje cada vez mais raro, mas muito comum até há poucas décadas, projectava a arte e o negócio, constituindo o ouro, mas também da prata, metais com uma profunda ligação intrínseca às gentes do Norte do País.
No domínio da prataria, seja ela civil ou religiosa, empenharam-se os ourives do Norte, desde a Idade Média até à actualidade, em renovar as grandes correntes internacionais, materializadas em milhares de objectos. Sés, igrejas, Irmandades, Santas Casas da Misericórdia, mas também inúmeros particulares, foram encomendando objectos para servir a Deus. No campo da produção profana, foi executada uma vasta quantidade de objectos para o serviço da mesa, das funções da higiene, da iluminação, da escrita ou do mero aparato.
A invocação da grandeza do passado não esconde a importância que a ourivesaria continua a desempenhar no quotidiano das populações da região Norte de Portugal, renovando as formas e continuando a seduzir as novas gerações, num esforço que importa promover e redimensionar.

CENTRO INTERPRETATIVO DA OURIVESARIA DO NORTE DE PORTUGAL (CIONP)
Processo NORTE-03-0347-FEDER-000151 Quadro de Referência Estratégico Nacional - Programa Operacional Regional do Norte (ON.2) - Eixo Prioritário III - Valorização e Qualificação Ambiental e Territorial (Património Cultural)

O CIONP é um projecto da área de investigação de “Artes Decorativas” da Linha de Acção “Estudo e Conservação do Património”
Coordenação Científica: Gonçalo de Vasconcelos e Sousa

Website do projecto

Apoios e Parcerias
O Centro Interpretativo da Ourivesaria do Norte de Portugal pretende abarcar as diversas instituições, actividades e perspectivas relacionadas com a Ourivesaria, estabelecendo pontes e relações com todos os agentes de alguma forma relacionados com esta actividade no Norte de Portugal, e mesmo nas restantes parte do País e estrangeiro.
Para a prossecução das acções que pretende implementar conta com a colaboração de uma diversidade de instituições museológicas, do ensino e corporativas, fundação, câmaras municipais, empresas e personalidades do Norte de Portugal, com ligação ao universo da Ourivesaria.

Parcerias

  • Arquivo Histórico Municipal do Porto
  • Associação Comercial e Industrial de Guimarães
  • Associação de Ourivesaria e Relojoaria de Portugal
  • Biblioteca Pública Municipal da Póvoa de Varzim
  • Câmara Municipal de Gondomar
  • Câmara Municipal de Guimarães
  • Escola Artística Soares dos Reis (Porto)
  • Fernando Martins Pereira (Empresa de Ourivesaria - Gondomar)
  • Fundação Dr. António Cupertino de Miranda
  • Instituto dos Museus e da Conservação
  • José Rosas & C.ª (Firma de Ourivesaria)
  • Manuel Alcino & Filhos (Empresa de Ourivesaria - Porto)
  • Museu Alberto Sampaio (Guimarães)
  • Museu dos Biscainhos (Braga)
  • Museu do Ouro de Travassos
  • Museu da Polícia Judiciária
  • Museu do Traje (Viana do Castelo)
  • PIN – Associação Portuguesa de Joalharia Contemporânea
  • Secretariado dos Bens Culturais da Igreja
  • Vigararia Episcopal da Cultura de Vila Real

 

Objetivos do projeto: 
  • Recolher e inventariar espólios de firmas de ourivesaria ou de acervos de ourives, procedendo à sua inventariação e disponibilização através da NET;
  • Disponibilizar online informações sobre a actividade da ourivesaria do Norte de Portugal;
  • Disponibilizar aos investigadores, alunos e interessados nas temáticas de ourivesaria, uma biblioteca para consulta in loco, facultando o acesso a publicações internacionais online sobre estas temáticas;
  • Proceder à publicação de livros sobre diversos aspectos da Ourivesaria Portuguesa e, logo que possível, publicar os Cadernos de Ourivesaria Portuguesa, publicação periódica; 
  • Constituir uma instituição de referência em acções de consultadoria no domínio da ourivesaria, na perspectiva histórica, artística e técnica;
  • Promover estudos académicos sobre centros produtores, ourives, técnicas e colecções de ourivesaria;
  • Estabelecer relações com outras regiões produtoras de ourivesaria em Portugal;
  • Constituir-se como interlocutor privilegiado em Portugal para investigadores e museus de ourivesaria;
  • Organizar colóquios, jornadas, seminários, workshops e cursos livres relacionados com a ourivesaria;
  • Colaborar na promoção da ourivesaria portuguesa no exterior, disponibilizando-se para a organização de exposições, palestras, workshops, entre outras actividades;
  • Estabelecer relações científicas e técnicas com instituições brasileiras, tentando aferir o destino de ourives e peças que migraram para diversas cidades do Brasil, e de que forma influenciaram esta arte no Brasil.

 

Atividades e calendario: 
  1. Criação, instalação e divulgação do CIONP
  2. Publicação do livro: Uso do ouro nas Festas da Sra. da Agonia, em Viana do Castelo, por Rosa Maria dos Santos Mota
    Produção de DVD bilingue (português e inglês) sobre a mesma temática
    Sessões de lançamento de livro e DVD – Viana do Castelo – Museu do Traje
  3. Publicação do livro: Glossário do uso do ouro no Norte de Portugal, por Rosa Maria dos Santos Mota
    Publicação de livro ilustrado, sobre a mesma temática, destinado a divulgação educativa
    Sessões de lançamento de livro e DVD
    Sessões de difusão do DVD por escolas da região norte do país
  4. Técnicas do trabalho da filigrana em Gondomar e Travassos
    Reedição do livro As Filigranas, por Rocha Peixoto (1ª edição: 1908)
    Produção de DVD sobre a mesma temática
    Sessões de lançamento de livro e DVD
  5. Publicação do Catálogo da colecção de joalharia do Museu dos Biscaínhos. Texto de Gonçalo de Vasconcelos e Sousa
    Sessão de lançamento do catálogo – Braga (Museu dos Biscaínhos)
  6. Publicação do Dicionário biográfico de ourives do ouro, cravadores e lapidários do Porto e de Gondomar (1700-1850), por Gonçalo de Vasconcelos e Sousa
    Sessão de lançamento do livro – Porto
  7. Publicação do livro As jóias no Porto e na sua comarca no século XIX, através das certidões de avaliação efectuadas pelo contraste Vicente Manuel de Moura
    Publicação de livro em 2 vols.
    Sessão de lançamento do livro – Porto
  8. Inventariação e divulgação do espólio artístico e documental da Casa de José Rosas & Cª
    Disponibilização do inventário em papel e em formato electrónico
    Edição fac-similada de Catálogos de Jóias do Porto (1 e 2)
    Conferência sobre a Casa Rosas
    Sessão de lançamento dos livros – Porto – Fundação Dr. António Cupertino de Miranda
  9. Publicação do livro Manual de boas práticas para a conservação de peças de ourivesaria nas instituições religiosas
    Sessão de lançamento do livro
    Acções de sensibilização junto de instituições detentoras de espólios de ourivesaria religiosa para as questões de manutenção e segurança das suas colecções (Palestras; Workshops)
  10. Subsídios para o levantamento da bibliografia da Ourivesaria Portuguesa
  11. Publicação do livro Biografia histórico-artística do ourives e cinzelador António Maria Ribeiro, o maior ourives português da primeira metade do séc. XX, por Teresa Trancoso
    Sessão de lançamento do livro – Porto – Escola Artística Soares dos Reis
  12. Publicação do livro Talheres de prata de Guimarães nos séculos XVIII e XIX, por Manuela de Alcântara Santos
    Sessão de lançamento do livro – Guimarães
  13. Publicação do livro O luxo no Porto no século XVI e inícios do século XVII
    Sessão de lançamento do livro – Porto – Arquivo Histórico Municipal do Porto
  14. Realização do III Colóquio Português de Ourivesaria
    Local: Fundação Dr. António Cupertino de Miranda
    Data: 17 e 18 de Novembro de 2011
    Edição das Actas do Colóquio
  15. Realização de Ciclo de conferências “Ouro e prata: os metais na vida das gentes do Norte de Portugal”
    Local: Fundação Dr. António Cupertino de Miranda
    Data: Abril-Maio de 2011
    Programa:
    11 de Abril, 18h30 - O funcionamento do ofício de ourives em Guimarães da Idade Média ao Séc. XIX, Dra. Manuela Alcântara Santos
    18 de Abril, 18h30 - Diferentes usos do ouro popular no Norte de Portugal, Mestre Rosa Maria dos Santos Mota
    2 de Maio, 18h30 - A prata do Porto e de Braga no Séc. XVIII, Prof. Doutor Gonçalo de Vasconcelos e Sousa
    9 de Maio, 18h30 - António Maria Ribeiro e a ourivesaria portuguesa da primeira metade do Séc. XX, Mestre Teresa Trancoso
    16 de Maio, 18h30 - Tesouros privados: as jóias no Porto e seus arredores no Séc. XIX, Prof. Doutor Gonçalo de Vasconcelos e Sousa

 

Sumario: 

A Ourivesaria constitui uma das artes e, simultaneamente, um dos sectores económicos que mais arreigados se encontram às gentes do Norte de Portugal. Possuidora de uma tradição milenar, que as descobertas arqueológicas não se cansam de continuamente provar, esta arte legou-nos um conjunto de peças, de técnicas, de tradições, de usos e de costumes, inclusivamente de natureza imaterial, que importa salvaguardar, sobretudo num período em que um conjunto de realidades relacionadas com estas áreas se encontra em grave perigo de se perder.
01/2010 to 12/2012