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Conjunto de estudos, integrantes dos projectos de doutoramento em diversas áreas das Artes Decorativas, que vão da prata à ourivesaria do ouro, do mobiliário aos estuques, da talha aos ambientes decorativos, essencialmente desde o século XVII até ao século XX.

Cerca de 3.000 certidões de avaliação efectuadas pelo contraste do ouro Vicente Manuel de Moura, localizadas no Arquivo Histórico da Casa da Moeda, em Lisboa, foram o ponto de partida desta Acção do CIONP que visou permitir o conhecimento público de um importantíssimo documento relativo ao Norte de Portugal. Trata-se de um dos mais significativos núcleos documentais sobre a ourivesaria portuguesa, certamente um dos mais relevantes do século XIX. Consiste num traslado de inventários post-mortem, com indicação da data, do nome proprietário, de parte das décadas de 60 e 70 de 1880, e da listagem das jóias, sua descrição e respectivo valor.

O Porto, cidade comercial de grande expansão no século XVI, permitiu a acumulação de uma grande quantidade de riquezas nesta urbe do Norte de Portugal, e que eram propriedade de um assinalável número de cidadãos e por outros habitantes da cidade. Em 1609, em função da pragmática de Filipe II de Portugal, foram obrigatoriamente registadas, com indicação do nome, morada, as peças detidas por essas pessoas. Este documento revela-se importantíssimo para o conhecimento, sobretudo, da prataria e da joalharia do século XVI na cidade, dos usos, costumes e utilização das peças, e por quem, e permite perceber o papel desses objectos no dia-a-dia dos diversos estamentos da sociedade portuense, sendo muito pouco comum este tipo de informações, a nível nacional, para o período em causa.

Dicionário biográfico referente aos ourives do ouro, cravadores e lapidários activos na cidade do Porto e em Gondomar entre 1700 e 1850, uma das épocas mais significativas da ourivesaria portuguesa. Para além do importante centro de produção portuense, este dicionário trouxe ao conhecimento público uma série muito significativa de elementos sobre os ourives do ouro de Gondomar, permitindo compreender o desenvolvimento deste centro produtor a partir de meados do século XVIII.

A ourivesaria sacra constitui um legado valioso de reconhecida importância cultural e cultual no contexto do património religioso português. A Igreja Católica é a sua detentora privilegiada, embora também se devam salientar outras colecções com menor impacto no que respeita à quantidade de peças, mas com uma qualidade material e técnica que justifica menção (Igreja Copta e outras). Tanto as colecções que se encontram já musealizadas como as que ainda se encontram em funções nas Dioceses e paróquias colocam problemas específicos de manuseamento, acondicionamento e segurança.

Analisa-se nesta obra a produção, a comercialização e o uso de talheres de prata em Guimarães, com especial incidência nos séculos XVIII e XIX e nas estéticas rocócó e neoclássica. No entanto, esses parâmetros espaciais, temporais e artísticos são frequentemente ultrapassados, quer na introdução histórica inicial, quer no cotejo com modelos formais e decorativos seguidos em outros centros de fabrico. A posse deste tipo de talheres é objecto de uma leitura sociológica e não são esquecidos os estojos de faqueiro, a importância dos talheres na arte da mesa e os códigos de civilidade e etiqueta que regiam a respectiva utilização.

A joalharia representa, em Portugal, um universo repleto de informações amplamente documentadas a nível das fontes manuscritas e iconográficas, pela relevância transversal que, a distintos níveis, marcou a sociedade portuguesa. Da opulência nobreza à ambiciosa burguesia, que via nos adornos preciosos um importante meio de afirmação, os grupos com poder aquisitivo conferiam às peças de joalharia com que se adornavam um efectivo meio de afirmação do poder e prestígio social.

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